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Impacto da escalada no meio ambiente

A escalada, segundo os seus praticantes, é um desporto que respeita o meio ambiente, sendo os escaladores os primeiros interessados na preservação da Natureza. Mas, o mesmo não dirão os caçadores que não respeitam as regras que lhes são impostas, ou os condutores "todo-o-terreno" que decidem invadir os locais mais inóspitos.

Assim, são postas em causa certas zonas de escalada com base em critérios ambientais, no entanto sem a necessária coerência em relação a outras actividades com impactos mais negativos que a escalada quando praticada com uma ética desportiva e ambiental.

Qual é de facto o impacto ambiental da escalada?

A escalada em si não terá repercurssões graves para a área onde se desenvolve. Todo o impacto que uma escola de escalada representa, provém essencialmente da fase de montagem das suas vias. Este impacto não tende a aumentar a longo prazo, desde que a área seja explorada com precaução pelos escaladores, evitando a massificação de pessoas e a abertura de vias para além das que já estão montadas

Ao montar uma via, há que ter em conta a destruição da vegetação que sobrevive perto da parede. A fixação de "presas" e eventual remoção de blocos soltos, pode perturbar tanto a comunidade animal do local como as plantas existentes nas fissuras.

A magnitude do impacto é menor num núcleo de escalada pequeno e concentrado do que num núcleo com o mesmo número de vias numa extensão maior de terreno.

Podemos assim concluir que a maior parte do impacto ambiental já foi feito. Os animais mais sensíveis à presença humana migraram para outras zonas intocadas, as plantas que existiam nas fissuras já foram removidas e todo o caminho em redor da parede estará compactado e bem definido. Todos os escaladores sobem e descem pelas mesmas vias e a maior parte das pedras soltas já caíram por segurança.

Com as precauções devidas, o deterioramento da zona não tem que necessariamente aumentar:

a) restrição do acesso rodado à zona de escalada, o que ajudará a parar a massificação turística, para assegurar a conservação destes espaços;

b) regulação das novas aberturas de vias, para evitar a dispersão no espaço, e restrições ao equipamento proibindo elementos incoerentes com o verdadeiro espírito desportivo da escalada.

E em relação ao impacto em zonas intocadas?

Nestas zonas todo o impacto ainda está por fazer. É imprecindível o estudo dos valores ambientais destes espaços. É importante também a capacidade de renunciar à abertura de um novo sector que pode significar o sacrifício de uma zona natural com características exclusivas e irrepetíveis.

É provável que um local intacto numa montanha, devido às suas condições de inacessibilidade, se tenha convertido num nicho ecológico de várias espécies animais e vegetais migradas de outros locais por efeito da pressão do Homem.

É compreensível que alguém queira escalar uma parede num local inexplorado e inacessível, diferente das populosas escolas de escalada. Faz parte da natureza humana e de alpinista reponder à atracção de uma via desconhecida.

No entanto, é preciso relembrar a aventureiros escaladores, que estarão a interferir num determinado ecossistema. Devem assim primeiro, caso decidam escalar essa parede, estudá-la minimizando o impacto ambiental que terão sobre a mesma ( principalmente se estão no período mágico de Abril-Maio-Junho, sendo o melhor não escalar em alta montanha).

Estes espaços vulneráveis de montanha têm em seu favor a sua inacessibilidade. Muitas pessoas não estão dispostas a carregar com o seu material de escalada para locais mais distantes. Para que tal não aconteça, factores como novas estradas, refúgios e publicações em revistas e jornais devem ser evitados para impedir a aproximação das montanhas e consequente deterioração.

Desta forma, devem ser tomadas certas medidas como precaução ambiental nesses locais:

a) medidas de controle de acessos rodados para diminuir a pressão dos visitantes;

b) Proporcionar alternativas, com a concentração do uso desportivo de paredes já estabelecidas em zonas mais baixas e de paredes artificiais, precavendo a difusão de praticantes para zonas pouco alteradas;

c) introduzir normas para o equipamento que produza impactos negativos (Ex: evitar perfuração de rocha acima de uma determinada altitude).

Quem regula a abertura e mantimento das vias de escalada?

Em Portugal não existe uma entidade reguladora desta modalidade. É importante a existência de tal entidade, para regulamentar eficazmente todas as actuações em matérias de abertura, equipamento e manutenção de vias de escalada. Caberia também a esta entidade garantir o estudo prévio da zona para uma melhor utilização das áreas naturais para actividades de escalada. Com a introdução de mais vias artificiais, retira-se a pressão dos espaços naturais, mais sensíveis à massificação.

Para os escaladores:

Para nós escaladores, que simplesmente escalamos as vias montadas por outros, ou que nos deslocamos para vias selvagens e desequipadas, algumas regras práticas:

- Não perturbar necessidade outros seres vivos (plantas, animais, outros escaladores.);

- Respeitar sempre os períodos de nidificação;

- Estabelecer códigos de comunicação para não ter de gritar. É algo que não é agradável para outros praticantes e que afecta a "paisagem sonora" do local;

- Não abusar do magnésio, visto que este é um elemento estranho à rocha e ao solo, pelo que pode causar efeitos anómalos na zona em que escalamos;

- Não deixar elementos considerados como "lixo" no local ( sejam eles resíduos variados ou restos vestigiais de material);

- Ouvir música com o volume no máximo não é um passatempo adequado à montanha. A paisagem deverá ser razão de sobra para escalar uma parede.

É a aquisição de conhecimentos, a atitude pessoal e o respeito das regras o melhor veículo para minimizar a repercursão da escalada nas áreas naturais, tornando inecessárias as proibições.

Todos estes factos podem parecer imposições aos nossos anárquicos e rebeldes espíritos de escaladores. Mas estes são males necessários ao saudável crescimento da escalada enquanto desporto.

André Ramalho

Texto baseado no livro El país frágil- las montagnas deben sobevivir
de Rosa Fernandez Arroyo (edições Desnível)

 
   
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